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Quinta-feira, Novembro 09, 2006
O último post
A última vez que eu te vi, vc tava deitado numa cama cheia de flores. Duro. Não respirava mais. Vc tava gelado. A sua mão
tava inchada, e segurava um terço pequeno e dourado. Passei horas com a mão no seu peito, e o seu coração não batia mais.
A última coisa que vc me disse foi "Volta mesmo".
A última vez que te vi bem, foi no dia 8 de setembro, depois do show do Cardigans. Essa também foi a última vez que vc dormiu na minha casa.
A última vez que pude passar um tempo com vc, foi dia 14 e 15 de outubro. Foi a última vez que fui na sua casa.
A última vez que a gente falou pelo MSN, foi dia 18 de outubro.
A última vez que a gente falou no telefone, foi dia 19. Não lembro muito bem o que a gente conversou.
A última música que a gente ouviu juntos, foi Slipping Away, do Moby.
O último filme que a gente viu juntos, se não me engano, foi aquele da Alanis que vimos aqui em casa. Eu dormi...
A última vez que assitimos TV, vimos MTV Lab e um filme tosco na TNT, que não terminamos de ver. Eu dizia que era um filme de Terror, e vc, que era um filme de Super Herói. Os dois estavam certos.
A última vez que a gente discutiu, foi sobre o último episódio de Will and Grace. E que a gente brigou, foi por causa dos seus milhares de amigos que me davam ciúmes.
A última vez que passamos a noite em claro, foi pq vc tinha medo de dormir, e ficamos acordados, esperando o dia amanhecer.
Nesse mesmo dia, foi a última vez que vc dormiu deitado no meu colo. A orelha que vc tinha feito acupuntura doeu.
O seu último post foi o da foto da Bruna. Um jeito lindo de encerrar o seu Flog. Só que vc tava enganado. A Bruna não foi a sua salvadora.
A última música que vc falou que era minha, foi Beautiful. Até hoje não sei se é a da Aimee Mann ou a do Belle and Sebastian. As duas são lindas.
O último email que vc me mandou, foi o falando que vc não conseguia escrever.
A última vez que vc me consolou, foi quando eu não conseguia escrever.
A última coisa que vc escreveu, foi o roteiro de Dear John, pro nosso TCC.
O último email que vc me mandou bem, foi antes do Show. Vc disse que ia me apertar e beijar, depois dar uns tapões e apertar os meus peitos, pq é assim que as pessoas loucas demonstram o seu amor.
A última vez que vc me ligou, foi dia 20 de outubro, mas eu tava sem o meu celular. Eu não atendi a sua ligação.
A última vez que eu te abracei, vc tava no seu quarto jogando video game. Eu já tinha descido. Mas eu resolvi subir pra te dar só mais um abraço. O último.
A última coisa que vc me pediu, foi pra eu montar o video game pra vc.
A última coisa que eu te pedi, foi pra vc não me deixar.
Ultimo...
Última...
Todas essas coisas tem algo em comum. Últimas. Sim. Eu não sabia que elas seriam. Que ridículo dizer isso, mas se eu soubesse, acho que teria sido diferente. Mas a gente não pode saber. Vc já teve, os seus últimos momentos. Tudo agora, tem gosto de último. Vc foi embora. Dessa vez, era a morte. Não somos mais Stuart e Ana. Agora, sou só Ana. Dói ouvir o meu nome sem esse seu apelido que tanto combinava com vc para acompanhar. A gente achou que era invencível. Imbatível. A gente ia morar na 9 de julho, e ter um cachorrinho do Battersea e viajar pra Londres. Vc me dizia que era o meu partner for Life. Vc não era. Agora que vc já passou os seus últimos, não consigo deixar de imaginar quando serão os meus. Não consigo deixar de pedir. Passei a nossa amizade com medo que vc fosse embora. Com medo que vc se machucasse. Com medo que vc morresse. Te salvei de tantas coisas... Pessoas ruins, momentos ruins, dores de cabeça, atropelamentos, tristezas, solidão... Só não pude te salvar de vc mesmo. Eu sempre tive esse medo. De que eu não poderia te salvar de vc mesmo. Porque vc era bom para todos. Menos pra pessoa que mais merecia, que era vc. Eu pensava que poderia ser boa o suficiente pra nós dois. Não pude. Agora só o que eu posso te dizer, é que to te esperando. Vou passar o resto da minha vida te esperando, porque nada mais importa. E vc
me conhece, e sabe que eu to falando a verdade. Vou terminar o nosso TCC. Colocar o seu nome na capa. Pra dizer que vc venceu. Vc sempre quis ser grande na vida. Teve medo de morrer sendo um nada. Pois vc não foi. E eu tenho muitas coisas pra provar. Mas no fim, "We settle for an epitaph like walk away Renné". Tantas eram nossas músicas. Tantas. Tive que escolher uma só pra representar esse momento. Escolhi essa. Mas espero que onde quer que vc esteja, vc ainda saiba que todas as outras estão aqui, dentro de mim, gritando o seu nome.
Walk away, Stu. Walk away. Don't forget to come and get me. Soon.
Beautiful
(Aimee Mann)
You pulled up and parked your El Dorado
We said "hi" and kissed with some bravado
I got out my camera and was laughing
Happy it was you I'm photographing
And we drove to the ferry
Like the cat and canary
I said, "Baby, it's scary
When it's so beautiful
Why does it hurt me
To feel so much tenderness?
Beautiful
You little wonder, you"
Maybe then I held your hand and kissed you
I know once I just hauled off and hit you
'Cause I can't even stand it
'Cause I don't want to end it
To be perfectly candid ¿
Baby, you're beautiful
Sometimes it hurts me
To feel so much tenderness
Beautiful
Wish you could see it, too
And all I have to do today
Is make you happy
The only thing you have to say
Is, "It's all lovely, baby"
Late that night, we checked into the Bellevue
Held you close, but, baby ¿ couldn't tell you
And we stayed in our Calvins
And we swore we'd be best friends
And I looked through the zoom lens
And thought you were beautiful
Sometimes it hurts me
To feel so much tenderness
Beautiful
Baby, I'm dazzled
By the view
Beautiful
You don't need to tell me
I'm completely powerless
Beautiful
I wish you could see it, too
I wish you could see it, too
I wish you could see it, too
ANA ELISA KORMANSKI 1:53 PM
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Sábado, Janeiro 28, 2006
Jesus. Queria só por um momento da minha vida falar sem usar metáforas. Queria falar sem me preocupar com quem vai ler. Com quem vai ouvir. Com o que vão pensar. Queria ser totalmente sincera como ja fui em alguns momentos, e queria ser totalmente clara, como nunca fui. Queria que todo esse esforço fizesse com que tudo isso fosse embora de dentro de mim. Preciso de uma privada interna, urgentemente. Não dá, eu não aguento mais ser eu, já deu, acabou. Por favor alguém me tira de dentro de mim, porque eu cansei. Por favor, eu quero acordar amanha com 90 anos e viver a minha vida como um sonho. Por favor... Já deu, já cansei, não quero mais, obrigada... Foi legal passar por aqui e conhecer muita gente. Agora eu já cansei e estou pronta. Não quero mais lidar com o que eu sou obrigada a lidar. E ai de quem me vier com o papo "você não é obrigada a lidar com nada que não quer". NINGUÉM ESTÁ NA MINHA CABEÇA PRA SABER COMO EU ME SINTO, SÓ EU POSSO SABER O QUE SOU OBRIGADA, E ACREDITE, EU SOU OBRIGADA. Ai ai, minha janela tão alta e tantas luzes lá em baixo... Vai desgraçada, aprende, pra ver se deixa de ser troxa. Meu deus, como eu sou troxa... if only you knew... Eu sou tão retardada... tão.. tão... e perdedora... claro, não podemos esquecer de perdedora. Nossa, eu odeio tanto esse texto, parece que eu sou uma menina mimada que só reclama da vida. E provavelmente sou mesmo. Só de raiva vou postar isso e ainda vou deixar 1 mes. Esse post merece 1 mes no ar. Merece que quando eu entre pra ver os comentários eu me lembre desse dia, do que eu senti, da raiva que eu tenho de mim mesma, e que essa raiva aumente. Que quando eu olhe essas primeiras palavras escritas naquele fundo lilás ridículo eu sinta ódio da minha pessoa. Ódio. Mais ódio. De castigo por pensar essas coisas. E de não se contentar em pensar, não, tem que escrever e mostrar ao mundo, porque senão como as pessoas vão fazer pra descobrir que você é tão frágil e vulnerável? Claro, temos que dar uma ajuda... Nossa, you make me sick. Vai filinha, você acha que vai adiantar? Coloca anúncio no estadão então, coloca lá, quem sabe alguém vem te salvar? E ainda por cima covarde... Pede logo, menina. Pede o que você quer. Fale para todos os seus amigos: "oi, eu sou a Ana e espero que você me salve". Sua ridícula. Nunca vai ser salva. Nunca vai acordar amanhã com 90 anos (talvez daqui a 67 anos). Essas coisas nunca vão sair da sua cabeça. Nunca vai pular pela janela. Isole-se. Assim, quem sabe você não alcança seus objetivos. Vai Mary Jo. O que está esperando? Pode ir, Mary Jo living alone. Vai lá. Quero ver. Nem pra isso você presta. God, you make me sick.
ANA ELISA KORMANSKI 3:12 AM
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Sexta-feira, Janeiro 06, 2006
To a Century of Fakers
Esse ano, não teve post de ano novo. Não teve nada novo nesse ano. Eu acordei no dia 1o de janeiro, e era o mesmo céu nublado, as mesmas caras, as mesmas mentiras to get alive through the day, as mesmas músicas, as mesmas sensações.
Neste ano não vou emagrecer, não vou conseguir mudar as coisas que eu quero mudar, não vou ser uma pessoa melhor e nem pior, vou ser igual. Vou ser igual eu sempre fui, essa pessoa que mora aqui dentro de mim já faz tanto tempo, e que não quer sair, ela vai ficar aqui mesmo. É disso que sou feita. De mim mesma.
Passei um ano totalmente inútil, não alcancei nenhum dos meus objetivos, não dormi o tanto que gostaria, não bebi o tanto que gostaria, não fingi ser outra pessoa tanto quanto gostaria, tudo pra poder escapar dessa armadilha que o além deixou pra mim que é viver. Não consigo olhar para trás e achar um momento bom nesse ano, unzinho sequer. Um ano feito de maus momentos, maus esforços, má vontade.
Aprendi em 2005, bem a tempo, que por mais que eu tente, por mais esforço que eu faça, por mais que eu finja ouvir certas coisas e outras não, eu não vou poder transformar as pessoas em minhas. Não posso me magoar pelo que as pessoas são. E que a confusão que existe na minha cabeça, é assim mesmo, eu não vou mudar: vou sempre ser confusa. Tão confusa como devo estar soando enquanto vomito essas palavras. Que me engano com tanta frequência quanto acerto, ou mais. Que trabalhar duro nem sempre traz recompensas, mesmo que tudo der certo no final, se você não quiser que traga. Aprendi que eu devo acreditar, nossa, como eu quero, quero acreditar em tanta coisa, tanta coisa... Aprendi que as pessoas permanecem vivas umas para as outras, mas nem sempre isso é o bastante.
Nesse ano, nada foi o bastante. Acabo o ano com essa sensação de vazio, de incompleto. Acabo o ano, porque mudou de 2005 para 2006. E acho que foi só isso que mudou.
ANA ELISA KORMANSKI 1:50 AM
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Domingo, Novembro 20, 2005
Hoje é dia 28 de setembro. Hoje é terça-feira. Eu havia planejado acordar bem cedo, tomar um banho, tomar café da manhã, pegar o meu carro, dirigir até o meu trabalho. Bom, isso só de manhã. Mas não foi bem assim que aconteceu. Eu realmente acordei bem cedo, mais cedo do que eu esperava até. Não tomei banho e nem café. Entrei no meu carro e não dirigi até o meu trabalho. Eu dirigi até o cemitério. É que minha mulher morreu. Ela se matou, na verdade. Mas acho que isso não faz dela menos morta. Ela morreu. Porque ela quis.
Um dia, foi a alguns meses atrás, ela me disse, bem bêbada: "Rogério, eu vou me matar. Vou comprar uma arma e vou atirar dentro da minha boca". Eu disse a ela para parar de falar besteiras, que ela deveria dormir e descançar que amanhã tudo estaria melhor. Ela dormiu, mas acho que quando amanheceu as coisas não estavam melhores como prometi. Ela fez isso porque estava cansada, ela mesma explicou na carta. Disse que viver sempre vale a pena, e que isso a gente só sabe quando morre. Disse que sentia muito, que não queria causar transtorno pra mim e pra toda a família. Disse que se eu quisesse, poderia falar para os menos íntimos que ela sofrera um acidente. No fim, eu acabei falando a verdade. Se ela fez isso, ela fez.
As pessoas se assustaram. Eu me assustei. Eu cheguei em casa, a empregada tava me esperando sentada na sala. "Seu Rogério, a Dona Ana tá meio estranha", ela disse. "Se trancou no quarto faz um tempo, e aí quando eu fui lá pra avisar que já ia embora, ela não respondeu". Fui até o quarto. Pensei que ela podia estar dormindo, ela sempre foi de dormir muito. A porta tava trancada. Bati algumas vezes, e nada. Então eu tive que tirar a fechadura da porta, nem sei como eu fiz isso, mas eu sei que eu abri, nessa hora já um pouco assustado. Ela estava deitada na cama, com a cabeça no travesseiro, coberta com o edredon. Eu me senti aliviado, fui entrando, abri as cortinas e comecei a chamá-la.
Ela não respondeu. Nunca mais vai responder, porque ela já não existe mais. Tomou um monte de comprimidos, e se trancou no quarto. Do lado tinha uma carta pra mim. Não dizia muitas coisas, só desculpas, ela pedia desculpas por ser tão fraca. Coitada, mal sabe ela que o fraco da história era eu. Eu ouvi todos os seus suplícios. Eu sabia que algo estava errado. Eu via que a cada dia ela perdia algo, não sei bem o que era, se o cabelo ou o brilho no olhar. Só sabia que a cada dia ela acordava e faltava alguma coisa. E falhei. Sou viuvo de uma esposa morta e suicidada, pai de ninguém e alguém que vai carregar sozinho pro resto da vida o peso de não estar lá. Depois do cemitério, vim pra casa, sentei no sofá. E assim estou desde então. Cansado, exausto e com medo. E agora, além de tudo isso, sozinho.
ANA ELISA KORMANSKI 4:53 AM
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Quinta-feira, Novembro 03, 2005
Um dia ela acordou e tava cansada. Não cansada que nem quando se tem um dia cheio, ou quando se corre muito rápido. Era um cansaço diferente. Ela até demorou pra perceber que era cansaço. Aí ela viu que o que tava casando era a vida mesmo. Acordar- comer- sair- crescer- casar- trabalhar- ter filhos- ver TV- ver filme- esperar- dormir- viver. Tudo isso cansava mesmo.
O que fazer? Foi o que ela pensou. Pensou muito no que fazer. Mas pensar cansa muito. Aí ela parou de pensar. De pensar no que fazer. Que nem naquela música, chega uma hora que se nada ou se afunda. Tava cansada de ficar boiando. E disse "Ou eu nado, ou afundo". Aí, nadar é muito difícil, exige prática, habilidade, força de vontade, piscina, roupa de banho. Melhor é afundar. Não é que ela me descobre que afundar também é difícil? Quem diria, era só soltar o corpo "Vai meu filho" que ele vai. Mas não é assim... Aí lá foi ela segurar de novo naquela bendita boia. Mas a boia também tava cansando. Sabe como é, essa vida de cansaço. Trocou de boia tantas vezes. Ela só queria chegar logo na praia. Ela só queria chegar logo no fundo do mar. Mas não é assim tão fácil.
Então ela decidiu voltar a pensar. A última coisa que pensou não foi muito legal, nem ouso repetir. Existe uma diferença enorme entre o DIZER QUE QUER e o REALMENTE QUERER. Por exemplo, eu posso dizer que quero pular de para-quedas, mas quando chegar a oportunidade eu mudar de idéia. Ou eu posso dizer que quero pular de para-quedas, e pular. Ou pelo menos subir no avião. Acho que deu pra entender. Mas voltando, foi nesse momento que ela descobriu a diferença entre dizer e querer. Foi aí que complicou, por que nem tudo que se quer se pode. Primeiro, ela dizia. Depois ela queria. E agora ela não podia.
Eu até disse pra ela, as coisas não tem que ser complicadas assim. Aí ela disse que a prática é diferente da teoria. Não tem, mas são. E o pior... Ela sabe exatamente o que fazer. Ela sabe como nadar. Mas não dá. Ela sabe como se soltar da boia. Mas ela não deixa. E ela também tá cansada de reclamar da vida. E aí que voltamos no cansaço. De novo, o bom e velho cansaço. Acho que já falei essa palavra umas 20 vezes só nesse texto. E ela não sabe como vence-lo (o cansaço). E agora? Como é o final da história? Não tem final. Ela pegou uma caixa de sapato que fica em cima do guarda-roupa. Viu as fotos, releu as cartas. É bom ver fotos de criança, sempre pensei. Elas não tem aquele peso no olhar. Ela ficou lá olhando praquela foto e tentando achar aonde foi que ela perdeu o olhar. Não achou.
ANA ELISA KORMANSKI 3:48 AM
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Domingo, Outubro 23, 2005
Existem assuntos que não saem da nossa cabeça. Esse é o problema maior, é quando eles não saem mesmo da cabeça, não encontram o caminho pra boca, pras pontas dos dedos que batem no teclado do computador ou no mínimo pra caixinha aonde eles devem ficar adormecidos. Existem pessoas, como eu por exemplo, que possuem toda uma coleção desses assuntos. Pois é, esse era um post sobre um deles. Mas não consigo. Já tentei de milhares de maneiras, mas isso, não sai daqui. Medo, eu acho, vergonha, principalmente. Mas ainda não achei uma metáfora q corresponda, nem um momento que possa encaixa-lo, nada. Só que ele ronda a minha cabeça como o resultado da tele-sena, de hora em hora, e eu não posso fazer nada sobre isso. Irritante isso, muito irritante mesmo. Nesses momentos que eu peço por favor, let me be successfull. Me deixa voltar aos meus 12 anos, make things right, put the book back on the shelf. Please.
ANA ELISA KORMANSKI 6:19 PM
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Domingo, Setembro 11, 2005
For the alcoholic and the addict who still suffers
Deus do céu, quando um dia tudo isso tiver acabado, e só me restarem as lembranças, tenho certeza de que de tudo, o que vai ficar são as dores. Pois como eu sinto dores. Dores físicas, mentais, emocionais, espirituais. Todas. Me dói tanto esse tédio que me consome, e tanto essa minha cabeça que não para e não me deixa relaxar nunca. Me dói como eu vejo as coisas erradas e como eu não posso fazer nada. Me sinto inútil, imprestável, dolorida. Me dói tanto ter as coisas jogadas na minha cara e eu aqui, imprestável. Tenho tanto medo do que está para vir que não consigo viver o que já está aqui. Tenho medo do mundo, o que ele pode fazer ás pessoas. Honestamente, tenho mais medo do que essas pessoas podem fazer a elas mesmas. Vejo na minha frente um lago de gelo fino, aonde tudo que importa jaz no meio e todo aquele gelo frágio está arrebentando, mas eu tento consertar e tento trazer pra superfície o que vai caíndo, mas é tão difícil, e dói tanto, tanto... E eu sei que um dia o gelo vai quebrar. E dói esse vazio que eu tento tão desesperadamente preencher, e não consigo porque nunca consegui olhar o lugar certo. Me dói o fato de eu não saber amar, e consequentemente não saber ser amada. Não posso ajudar e não posso ser ajudada e isso dói. A minha imagem refletida no espelho dói. as verdades e as mentiras doem. Esse texto dói. Essa casa, dói. Esse mundo. E essa música, essa música dói.
RAY
Ray,
As of today
I can't say
Things will ever be the same
And that could be a shame
'Cause though
I think I know
Another lonely exile when I see one
And you appear to be one
Still
I'm playing it down
'Cause I could really be found
If you've got it to spare
I'm playing it cool
But it's terribly cruel
'Cause I ought to be there
And, Ray,
What can I say
You don't know me
And it's just wishful thinking
To keep myself from sinking
Hence
No evidence
To support any theory I have handy
That you could understand me
And so
I'm playing it down
'Cause I could really be found
If you've got it to spare
I'm playing it cool
But it's terribly cruel
'Cause I ought to be there
'Cause you're as bad off as me
And, Ray,
Can we repay
Ourselves for days
That we've lost through indecision
With one of recognition
If so
Then here I go
'Cause some things you know
And some you just believe in
And hope it comes out even
I'm playing it down
'Cause I could really be found
If you've got it to spare
I'm playing it cool
But it's terribly cruel
'Cause I ought to be there
I ought to be there...
ANA ELISA KORMANSKI 12:53 AM
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Quarta-feira, Agosto 17, 2005
Nina nasceu numa madrugada chuvosa. Trouxe com ela, além do usual, uma outra pessoa. Lisa. Sua irmã gêmea. Elas eram absolutamente idênticas desde o primeiro dia. Ninguém conseguia diferenciá-las. Sempre tiveram o mesmo cabelo cor de caramelo, os mesmos olhos amendoados, o mesmo nariz, a mesma boca. O problema foi resolvido de cara: Nina seria vestida de rosa e Lisa de amarelo. Era um pouco complicado na hora do banho, pois enquanto um bebê estava na banheira o outro deveria permanecer vestido, de modo que não se confundissem as duas. A mãe de Nina nunca deixou que elas fossem confundidas. Inútil. Logo descobriu-se que enquanto Nina era uma criança sorridente, saudável e brincalhona, Lisa mostrava-se cada vez mais quieta. Não se interessava pelos brinquedos, não atendia quando se chamavam o seu nome, não ria, não dava sinal de vida, exceto pela respiração.
Sim. O que mais temíamos era verdade. Lisa tinha um tipo de deficiência. A doença tinha sintomas terríveis. Dores, alucinações, medos, fobias, confusão mental. Nina logo entendeu que sua irmã era especial. Nina sabia que tinha que cuidar muito bem dela. Mas ela apenas uma criança. E foi uma das melhores, isso sim. Nina era a alegria dos coleguinhas, era boa em esportes, educada, bonita, meiga. E Lisa não podia sair de casa. Ela era obrigada a permanecer reclusa, constantemente observada, e mantida a medicamentos.
Nina e Lisa cresceram. Um dia, aos 16 anos, aconteceu o pior. Mesmo com cuidados permanentes da família, Lisa perdeu a visão. Nina não acreditara. ¿Vocês deixaram a Lisa ficar cega!!!¿, ela gritava, desolada. Mas essas coisas, como bem sabia Nina, não voltam atrás. Então Nina aprendeu a conviver com sua irmã doente e cega. Nessa época começou a notar-se algumas diferenças na aparência das irmãs. Lisa perdeu o brilho. No olhar, no cabelo, na vida. E Nina continuou a se destacar, porém, agora consciente de que quando chegasse da escola, Lisa estaria lá do mesmo jeito de sempre.
Conforme o tempo foi passando, Nina sentia maior necessidade de passar tempos com Lisa. Elas foram ficando mais próximas. Ela era a única que entendia a irmã. Lisa tinha muitas dores à noite, e chorava. Nina não podia dormir. As noites eram sempre piores pra Lisa, e por isso Nina tentava permanecer invisível. Não por maldade, mas para não atrapalhar. Lisa tinha muitas perguntas. Ela não entendia porque era daquele jeito. Ninguém sabia respondê-las. Nina começou a ser um pouco abandonada, pois Lisa piorava a cada dia. E elas amadureceram mais, e viraram mulheres. O médico falou que não havia nada mais a fazer. Que Lisa era uma caso perdido. Ela seria um problema para sempre. Cega e doente. Mas Nina nunca conseguiu desistir da irmã. Na verdade, elas estavam ligadas por algum tipo estranho de conexão. ¿Ela veio do mesmo óvulo e do mesmo espermatozóide que eu¿, pensava Nina. ¿Eu sou parte dela e ela de mim¿.
Todos percebiam: Nina nunca seria livre enquanto Lisa vivesse. Ela não se importava. Passou a vida ao lado de sua metade, não se casou e não teve filhos, o que é uma pena. Obviamente Lisa também não casara e nem tivera filhos, mas isso era de se esperar, já que ninguém iria querer uma esposa com tantos problemas.
É tudo muito complexo e triste. Tudo que Nina podia ser, não foi, por causa de sua irmã doente. Ela não sentia raiva. Lisa não tinha culpa de ser do jeito que era. Ela ficava um pouco feliz em ter percebido essa ligação estranha um pouco tarde, pois pôde aproveitar considerávelmente bem os primeiros anos de sua vida. Mas mesmo nessa época, quando era uma criança tola e feliz, Nina sabia que Lisa estava em casa. E que era só uma questão de tempo. Tudo trata-se de uma questão de tempo.
ANA ELISA KORMANSKI 4:42 AM
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Segunda-feira, Junho 27, 2005
Me sinto muito estranha. Parece que sou outra pessoa usando minha pele. Me senti assim o dia todo. Estranha. Não consigo definir o sentimento (I know there's a word for this). Aparentemente é um misto de nó na garganta, um pouco de confusão, uma tristezinha no fundo do estomago e uma pequena vontade de chorar, que aliadas com toda a pinga de ontem a noite e toda a força para manter a cara feliz me causaram náuseas absurdas hoje. Vomitei tudo que tinha dentro de mim, menos esse sentimento. Ele não quer ir embora e não me deixa dormir. E me faz pensar que eu quero que chegue amanhã mais uma vez, pra eu poder me preocupar com os problemas resolvíveis da SUA, aonde ao contrário desse lugar, eu sinto que faço o melhor que posso. Desculpe se o meu melhor não é suficiente, mas é o meu melhor. Aqui não. Aqui eu sempre tento me esforçar, sempre tento me superar mas não saio do mesmo lugar. Parece que eu já dei o que tinha que dar (sem trocadilhos). E eu to aqui, nunca fui pra lugar nenhum. To aqui e não vou pra lugar nenhum. Preciso conseguir continuar, preciso do meu melhor mais uma vez, mesmo ele não sendo o bastante, senão não sei o que acontece. Preciso também do melhor dos outros, pq, baby, I'm drowning. I hate to adimit it. Provavelmente me arrependerei mais tarde.
ANA ELISA KORMANSKI 3:39 AM
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Segunda-feira, Junho 13, 2005
Nem todos sabem que dentro de mim tem uma caixinha. Dentro dela estão guardados os meus maiores medos, minhas maiores inseguranças e minhas maiores neuras. Não é uma caixinha muito pequena. Ela fica guardada em um lugar lá no fundinho. O que acontece é que um dia (não consigo dizer exatamente a quanto tempo atrás) a caixinha escapuliu, aquela desgraçada, soltando tudo que estava guardado. E aí, eu estava muito a flor da pele. Agora, também não sei desde quando e nem como, os monstros retornaram aos seus beliches dentro da caixinha e ela foi mais uma vez selada. O que significa que eu me sinto absurdamente contida, tenho de novo um peso enorme pra carregar, mas também me sinto mais segura. Ok, eu sei que a caixinha não é legal, e que não é bom guardar as coisas, mas eu não tenho controle disso. Eu to muito confusa com relação aos meus sentimentos atuais. Por isso que não escrevo mais no blog. Eu não tenho mais o que dizer. Eu gosto de pensar que era tudo tão enorme, tão sem sentido que o meu subconciente achou melhor deixar pra lá. É isso. To escrevendo pra me justificar. Não sei como resolver isso, me sinto muito cansada para o tal. Vou deixar pras pessoas que tem a chave da caixinha ajudarem, se elas tiverem vontade. Eu lavo a minhas mãos. Odeio essa caixinha maldita e odeio as dores que ela causa quando aberta, então me sinto muito melhor agora. Não resolveu nada, mas me sinto melhor. E é isso. Desculpe se vcs gostavam das coisas que eu escrevia. Aquilo não era eu, eram os monstrinhos. Eu andei escrevendo uns textinhos bestas aí, talvez eu poste no blog, talvez eu mostre pras pessoas interessadas (já que vcs não são muitos). Estou explicada? Não sei se consigo lidar com isso agora. Desculpe. Pra finalizar uma música do Cardigans, que anda muito na minha cabeça ultimamente.
Feathers And Down
So you trying to do what they did
Your friends that turn to liquid
And got lost in a see
And now you're drowning me
With your talk of four-leaf clovers
You turn to rocks and omen
To beat the ambient harm
That is bruising your karma
Oh I wish my arms were wider
I wish that I could hide you
So you could rest and repair
Without the blanket of sorrow
The thick and the grey
Your blanket of woe
So heavy and stained
And it only weighs you down
So you thought that getting sober
Would mean your life was over
I don't think it's that bad
I don't think it's that sad
Just you sleep a little, baby
Leave the world alone and later
If you wake up alive
That old blanket of sorrow
Could be feathers and down
Your blanket of woe
Would leave you alone
And I can love you till you drown...
Come to me, let's drown
Come baby, let's drown
In feathers and down
ANA ELISA KORMANSKI 12:39 AM
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Quarta-feira, Maio 04, 2005
Adoraria ter algo a mais a dizer. Mas a letra já diz tudo. Ah sim: tenho algo a acrescentar: What goes around comes around. E a letra é da Aimee, é claro.
I Can't Help You Anymore
That summer was just crazy hot
We walked the fairground parking lot
And with our secret handshakes
Sealed the deal completely
But I'm too close to know just what
Will keep Pandora's boxes shut
And so I'll fail you badly
When you really need me
'Cause I don't know
What I should know ¿
That I can't help you anymore
No, I can't help you anymore
No, I can't help you anymore
I'll get a pen and make a list
And give you my analysis
But I can't write this story
With a happy ending
Was I the bullet or the gun
Or just a target drawn upon
A wall that you decided
Wasn't worth defending?
And I should know
But I don't know
That I can't help you anymore
No, I can't help you anymore
No, I can't help you anymore
Anymore
No, I can't help you
'Cause baby, look what I have done
The ruins just go on and on
I've got to let it go now, or it will drag me under
So I can't help you anymore
No, I can't help you anymore
No, I can't help you anymore
Anymore
No, I can't help you anymore
ANA ELISA KORMANSKI 11:03 AM
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Terça-feira, Abril 26, 2005
Já escrevi sobre toda uma infinidade de sentimentos nesse blog. Mas acho que um de que eu nunca falei, é o ódio. Não me julguem. Todos sentem ódio. Eu sinto ódio. Eu odeio com todas as minhas células, com todos os meus fios de cabelo curto e em poucos segundos todo o amor que pode abraçar o mundo é substituído por ódio mortal.
Desconhecia essa minha capacidade. Era algo adormecido dentro de mim. Mas ele tava lá. E nem precisou de muito para ser despertado. Bufei, gritei por dentro, chorei sem lágrimas. Tudo num momento de ódio mortal. Podia esfregar a cara de alguém no asfalto áspero e cuspir em cima daquele sangue quente e inútil. E me senti bem. Me senti normal e me senti certa. Tava certa em odiar. Senti que as frases "Eu te odeio" e "Eu odeio" eram mais verdadeiras. Queria ficar aqui dissertando sobre o ódio... Mas acho que não conseguiria expressar exatamente o que eu senti e o que tudo significou. Mas é bom falar sobre algo diferente pra variar.
Could've Been Anyone
It's so hard not to blame you
it's hard not to put all the blame on you
'cause you knew from the start
there was one little part you would not let through
I'm sure there were even moments when you thought
You might someday finish what you'd begun -
but that could've been anyone
could've been anyone
I lost my place in the sun
well, never mind
it could've been anyone.
So we all make mistakes
it just figures you'd make me the biggest one
I was saving it up
now it's spent and I don't know
what I spent it on
now I find if you try hard enough
you can wear it down 'til it's just about gone -
'til you could've been anyone
you could've been anyone
lost your place in the sun
well, never mind
could've been anyone.
Your pattern is different
than what it implies
the words may be true but
I realize -
it isn't description so much as disguise.
Don't worry, you can learn to live without
you've got a lifetime of that to draw upon
and anyway -
it could've been anyone
you lost your place in the sun
lost your place in the sun
oh, you lost your place in the sun
well, never mind
it could've been anyone
never mind
never mind
(I think that's enough now)
Ps: A música não tem nada a ver com o que me trouxe todo o ódio. Mas acho uma boa música sobre o assunto.
ANA ELISA KORMANSKI 1:39 AM
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Segunda-feira, Abril 18, 2005
Pra que, não é mesmo? Não é essa a pergunta que fazemos todos os dias? "Filhinho, come todas as verduras, cresce bem bonito e forte, arruma uma namoradinha, um emprego, um casamento e um par de filhinhos". "Pra que, mãe??". É isso aí. Ninguém sabe, cara... Ninguém sabe... Ninguém sabe porquê a gente pergunta tanto por que em nossas vidas. Ou melhor, se Einstein não tivese perguntado por que, não teria inventado aquele monte de fórmulas que eu não tenho a menor idéia pra que serve, mas que provavelmente alguém usa de bom grado.
Outra coisa: pra quê esse post filosófico? Sabe-se lá. O que eu queria mesmo era ferver. Cair na balada. Me jogar na pista. Quero que um gay me agarre e me diga "Tá um luxo hoje, mona". Que depois alguém enfie a língua na minha boca e eu sinta nojo, mas ao mesmo tempo, me sinta viva. Yeah, life rulez! Queria conversar com um amigo. Adoro conversar... Adoro profundidades, como adoro falar as coisas que eu penso sobre o único assunto que eu sei com certeza, que é eu mesma. Mas pra que? Pra que caímos nesse círculo vicioso? As pessoas são tão previsíveis... Hoje sonhei algo estranho de novo. Meus sonhos são bizarros! E previsíveis... as pessoas sempre tem o mesmo comportamento neles. Que normalmente não é o delas. Será que o meu subconsciente consegue enxergar a essencia das pessoas, aquilo que elas não mostram? Ou será que ele tá me mostrando o que eu acho que elas são, mas ainda não pensei sobre isso? E as importantes, sempre as importantes... O, meu Deus, só meu... Porque elas? Porque não sou uma velhinha solteirona com 15 gatos que fede a repolho e usa roupas de brechô velho e piolhento??
ANA ELISA KORMANSKI 12:22 AM
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Domingo, Abril 10, 2005
Seria legal ter um diário. Alias, seria mesmo legal conseguir mantê-lo. Na verdade, queria saber qual botão apertar para que eu consiga escrever mais constantemente. Não sei se as pessoas entendem. Escrever pra mim é muito importante. Não sei porque. Não sou uma pessoa muito incisiva. Desisto fácil fácil. Mas um dia eu encafifei com isso. Que bosta. Odeio encafifar. Também odeio a palavra encafifar. Ah, e como odeio me arrepender das coisas depois. Odeio me arrepender. Quando me arrependo, escolho apagar o fato da minha mente, fingir que nunca aconteceu e nunca mais pensar nisso, porque arrependimento mata. Odeio ficar sentada na frente desse computador atuando, realizando o meu papel, cumprindo os contratos e fazendo o que as pessoas esperam de mim. Nesse momento queria ter cabelo comprido, uma roupa que não combina, um cigarro em uma mão e um apartamento apertado e sujo em uma cidade européia. Quero uma vida de junkie. Junkie rulez. Não aguento mais olhar pra gente feia em lugares chatos e fingir que me divirto, não para enganar os outros, mas a mim mesma porque eu preciso me divertir. Não quero mais as minhas ropuas baratas, as minhas bebidas baratas, as minhas idéias baratas e as minha não-opiniões baratas. Talvez se eu fosse uma pessoa com opiniões conseguiria escrever. Mas não sou. O máximo que eu chego é o "gosto-não gosto", sendo este último mais constante, porque aparentemente também sou uma pessoa de grande desgosto. Desgosto no sentindo de não gostar de nada. Ouvi essa frase essa semana. Não, acho que não foi essa. Foi que eu me irrito com tudo e todos. Que grande maravilha. Sou então, uma pessoa sem opiniões, que me irrito com tudo por não ter opinião, que quer ser junkie e se entregar a depressão, e que não tem mais o cabelo comprido. Oh, get me away from here, I'm dying. Hoje não tem música. Só isso.
ANA ELISA KORMANSKI 4:08 PM
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Segunda-feira, Março 28, 2005
As lágrimas escorrem pelo rosto. Torrencialmente, igual a uma cachoeira. Chorar é normal. É fisiológico, é humano. É uma das coisas que ninguém pode te tirar. É causado pelos motivos mais inusitados. Chora-se tanto nesse mundo... De alegria e tristeza. De medo, de desespero. De dor. De ciúmes, de ódio, de amor. Parece que quando as coisas chegam a seu ápice, ao topo, elas aparecem. Doces, molhadas e insistentes. Estas são as lágrimas.
No meu caso tem vida própria. Elas aparecem e somem quando tem vontade. Quando se acham no direito, resolvem correr pelo meu rosto sem eu querer. Escapulindo dos meus olhos sem permissão. Depois elas secam. E permanecem secas. Como tudo que ronda a minha pessoa, são absurdamente indecisas. Complexas. Secas. Indecifráveis, porém existentes. Tudo é assim. Eu peço pra elas virem, tanto... É tão bom experimentar esse alívio de ter a cara literalmente lavada. A alma, a vida. Mas perdi o controle. Não sei mais onde elas se escondem.
The Fox In The Snow
Fox in the snow, where do you go
To find something you can eat?
Cause the word out on the street is you are starving
Don't let yourself grow hungry now
Don't let yourself grow cold
Fox in the snow
Girl in the snow, where will you go
To find someone that will do?
To tell someone all the truth before it kills you
They listen to your crazy laugh
Before you hang a right
And disappear from sight
What do they know anyway?
You'll read it in a book
What do they know anyway?
You'll read it in a book tonight
Boy on the bike, what are you like
As you cycle round the town?
You're going up, you're going down
You're going nowhere
It's not as if they're paying you
It's not as if it's fun
At least not anymore
When your legs are black and blue
It's time to take a break
When your legs are black and blue
It's time to take a holiday
Kid in the snow, way to go
It only happens once a year
It only happens once a lifetime
Make the most of it
Second just to being born
Second to dying to
What else could you do?
ANA ELISA KORMANSKI 1:22 AM
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Segunda-feira, Março 14, 2005
Errei em muitos momentos da minha vida. Não acho que isso seja particular ou específico da minha pessoa. Pelo contrário, estou bastante ciente de que errar é humano. Sou culpada pelos meus pecados. Sou responsável pelos meus erros. Queria poder voltar atrás e fazer muita coisa diferente. Mas sei que não posso. E sei que o que eu to vivendo agora é isso e não vai voltar nunca mais. Eu sei que posso estar desperdiçando esse momento da minha vida que quando eu menos perceber, vai ter acabado. Eu nunca mais vou ter 21 anos. Eles chegaram, ficaram e se foram. Não voltam. E dos 22, não consigo me ver tirando proveito.
Eu sou culpada de querer fazer algo da minha vida. Sou culpada de querer fugir da mediocridade, e ao invés disso, cair na mediocridade mais profunda. Sou culpada de nunca lutar pelos meus objetivos quando os tenho, eu nunca me esforçar para traçá-los quando estes me faltam. Cresci acreditando que o céu era o limite. Cresci com a idéia de que sim, as coisas eram fáceis, e sim, elas dariam certo. Eu era muito pequena e me lembro de olhar no retrovisor do carro do meu pai e pensar "Sou uma menina de sorte". Por isso o choque foi maior quando percebi que na vida de verdade não funciona bem assim. Eu, como a grande maioria das pessoas do mundo, aprendi as coisas na marra. E dessa maneira vou vivendo meus erros e minhas neuras, que também são erradas.
Sou culpada de ter sido adolescente, de ter escolhido uma profissão que não gostava, abandonado a tempo, somente para depois, em mais um momento impulsivo, escolher uma outra profissão que na realidade só servia pra me fazer fugir. Agora sou culpada de ter percebido isso tarde demais, quando não há mais retorno. Quando eu era pequena eu era loira e queria ser escritora. Hoje eu só queria escrever. Mas sou culpada de querer escrever sobre coisas que não entendo. Isso porque o que a maioria das pessoas acham comum, eu não tenho idéia de como seja. Não entendo muitas coisas. Às vezes, acho que só entendo a mim mesma. E às vezes acho que estou certa. Passei essa metade da minha vida vagando, quando deveria estar formando opiniões, criando conceitos, decidindo etapas. E agora sou culpada disso tudo, mas se fosse diferente, seria culpada de outras coisas. Sou culpada até por não conseguir finalizar esse texto decentemente. Mas hoje eu ouvi: Não se pode encontrar a paz evitando a vida. Às vezes eu acho que é ela quem está me evitando. Mas a montanha é alta, nunca acaba. Na medida do possível, eu continuo escalando.
I Know There's a Word For This
I know there's a word for this
I know there's a word for the way I'm feeling
I know there's a word for this
I know it, and it's on the tip of my tongue
and it won't go any further.
I know there's a word for this
I know, 'cause it's in the dictionary
and when I find what it is
I'll write it down in case it comes up again
I'll be certain to avoid it.
So, take this down:
I just feel so beat
and I think it's time
to admit defeat
I thought I got mine
but that uphill climbing
is never through.
I know there's a word for this
I know 'cause we've all at sometime said it
like when we were little kids
we'd fight each other 'til someone would give in
and you'd make him tell you 'uncle'.
So, take this down:
I just feel so beat
and I think it's time
to admit defeat
I thought I got mine
but that uphill climbing
is never through.
ANA ELISA KORMANSKI 3:42 AM
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Domingo, Março 06, 2005
Ai gente... se eu falar que essa deve ser a 5a tentativa de escrever um post talvez ninguém acredite. Sei lá, não consigo mais. Não sinto que existem questões a serem escritas. Não consigo dar minhas opiniões sobre as coisas a minha volta. Simplesmente não dá. E sei lá, to sentindo tudo tão absurdamente estranho que parece que não consegui me acustumar. Tudo diferente. Parece que chacoalharam o mundo, depois puseram no lugar, só que ficou tudo bagunçado. Assim que me sinto. Assim que tá a minha cabeça. Acho meio impossível que todas as pessoas do mundo de repente fiquem estranhas e diferentes ao mesmo tempo. Consegui chegar a conclusão que quem mudou fui eu. Brilhante. Não sinto a mínima vontade de postar isso. Mínima. Só vou fazer porque o post que tá lá me irrita. E se for pra não escrever nunca mais, não quero que aquele seja o último. Não acho que alguém vai ler isso. Vou fazer de conta que esse post é pra mim. Foda-se. Foda-se. Penso isso muito ultimamente. Foda-se. Eu não me importo. Quem sabe eu consigo acreditar. Put the book back on the shelf.
ANA ELISA KORMANSKI 12:48 AM
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Terça-feira, Fevereiro 08, 2005
I am a man
Isso vem de uma pessoa. Isso vem de uma pessoa que não consegue decidir se certas coisas são ruins ou boas. Isso vem de uma pessoa que acha que várias de suas qualidades são defeitos. E que fica feliz por alguns de seus defeitos, por acreditar que eles a fazem ser ela. Isso é de uma pessoa que assiste BBB não só por achar divertido, mas também por achar que essa prática faz com que ela seja normal. Uma pessoa que se orgulha se saber quem é a Maria do Carmo da novela das 8, e porque ela é a senhora do destino. Uma pessoa que sabe. Muitas coisas. E que mesmo sabendo muitas coisas, é uma pessoa que would rather be sucessfull than be us. Uma pessoa cansada das beiradas e das minorias. Uma pessoa que é capaz de fazer de tudo por certas coisas, mas assim que percebe que elas não estão dando certo, desiste na mesma hora. Sim, uma pessoa que desiste. Uma pessoa que analisa. Horas e horas gastas nessa tal análise, que não leva a lugar nenhum. Uma pessoa que observa, e que tem raiva por não conseguir chegar a conclusão nenhuma. Uma pessoa que tem tanta fé nas outras pessoas. Mas mesmo assim as vezes não acredita no melhor delas. Isso vem de uma pessoa que não tá aqui pra roubar nem pra matar, tá aqui pra pedir. Que escreveu em Invisible ink, e agora não sabe como fazer aparecer. Que tem tanto medo do futuro que esquece de viver o presente. Uma pessoa que quer recuperar o passado perdido. Que se decepciona e chora. Chora porque a faz se sentir normal. Pessoas normais choram quando estão tristes, ela não. Só quando se decepciona, e por isso fica feliz por chorar. A person who wrote a book about herself, the people left it on the shelf. Não quer escrever outro. É muito cansativo. E uma pessoa que não consegue concluir esse texto. Vai deixá-lo assim, esperando que vocês compreendam a idéia que ela quer passar. E esperando mais ainda que ela consiga sempre lembrar dessas frases. Porque isso vem só de uma pessoa.
ANA ELISA KORMANSKI 10:57 PM
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Domingo, Janeiro 23, 2005
É muito difícil explicar as coisas. Porque às vezes eu escrevo o que eu sinto aqui, e as pessoas acabam entendendo errado. Ou tirando conclusões, sei lá. É estranho, difícil e arriscado. Cada vez que eu escrevo algo aqui estou me arriscando a não ser entendida.Eu tava escrevendo um post enorme sobre o fato de eu muitas vezes não conseguir explicar para as pessoas exatamente o que se passa. Como disse no post anterior, eu sou muito complicada. E aí um comentário me fez pensar muito, muito mesmo. E eu entendi. Mas não consigo escrever. Tudo isso, porque alguém já fez isso pra mim. Eu tentei colocar nas minhas palavras o que eu to sentindo, tentei explicar essa música do meu ponto de vista. Mas me sinto uma idiota tentando transformar uma absurda obra de arte em algo tão ridículo como as minhas palavras. Então tá aí: vou correr o risco de ser mal interpretada de novo, vou correr o risco de que as pessoas não entendam o que eu quero dizer com tudo isso, mas não tenho como fazer diferente. E como diz na própria música, "nobody wants to hear this tale (...) baby, we've all heard it all before". Sim, como já me foi dito, eu começo a me repetir. Puxa, são 2 posts seguidos sobre o mesmo assunto. E esse tá sendo tão difícil que ficou essa coisa confusa. Não consigo me expressar. E só pra finalizar: eu sei procurar as respostas no fundo. Eu sei chegar no fundo. Só que é tudo tão emaranhado que nem mesmo eu entendo. Tanto que quando eu faço isso, eu choro e fico alguns dias me recompondo.
Invisible Ink
There comes a time when you swim or sink
So I jumped in the drink
Cause I couldn't make myself clear
Maybe I wrote in invisible ink
Oh, I've tried to think
How I could have made it appear
But another illlustration is wasted
cause the results are the same
I feel like a ghost who's trying to move your hands
over some ouija board in the hopes I can spell out my name
What some might take for magic at first glance
is just slight of hand depending on what you believe
Something gets lost when you translate
it's hard to keep straight
perspective is everything
And I know now which is which and what angle I oughta look at it from
I suppose I should be happy to be misread -
better be that than some of the other things I have become
Well, nobody wants to hear this tale
The plot is cliche, the jokes are stale
and baby we've all heard it all before
oh i could get specific, but
nobody needs a catalog
with details of love I can't sell anymore
and aside from that, this chain of reaction
baby, is losing a link
though i'd hope you'd know what i try to tell you
and if you don't I could draw you a picture in invisible ink
but nobody wants to hear this tale
the plot is cliche, the jokes are stale
and baby we've all heard it all before
oh i could I get specific but
nobody needs a catalogue, with details of love I can't sell anymore
ANA ELISA KORMANSKI 4:01 AM
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Segunda-feira, Janeiro 10, 2005
"We could just walk away, and hide our heads in the sand. We could just call it quits, only to start all over again, with somebody else".
Isso é de uma música da Alanis. Achei importante colocar aqui, já que é um assunto importante na minha vida atualmente. Uma vez uma pessoa se auto-intitulou a personificação do adjetivo patético. Eu discordei, e falei que era muito pretencioso de sua parte. Agora eu entendo o que ele quis dizer. E digo mais: se ele não tivesse dito antes, isso seria algo perfeito para eu dizer agora.
Não sei se dá pra compreender: tudo isso que eu escrevo no blog deve parecer um melodramazinho barato de uma garota mimada que reclama da vida. Isso é totalmente patético. Agora, quando eu digo pra vcs que isso é apenas uma amostra do que eu realmente sou no fundinho (grande fundinho), eu me torno a personificação do patético. É além de patético. Não sei um adjetivo além de patético. Se alguém souber, é isso que eu sou. Se eu disser que tudo isso não passa de 5% dos meus verdadeiros sentimentos, uma gotinha no oceano, acho que posso me considerar uma fracassada genuína.
Quer coisa mais patética do que uma pessoa que deve vir com manual de instruções? Quer coisa mais mal feita do que alguém que vem em "camadas"? Quer coisa mais idiota do que ser tão difícil e incompreensível que as pessoas te chamam de complexa? E o pior, quer algo mais frustrante do que ter que avisar pras pessoas "cuidado, vc não sabe aonde estar se enfiando". Que horrível, eu me identifico com uma música que chama Deathly. Tenho até vergonha de assumir. Mas é. Deathly é o que todos deviam saber antes de se aproximarem de Ana Kormanski. É provavelmente muito tarde pra avisar. Mas vou colocar aqui, só pra tirar o peso da consciência.
Deathly
Now that i've met you
Would you object to
Never seeing each other again
Cause i can't afford to
Climb aboard you
No one's got that much ego to spend
So don't work your stuff
Because i've got troubles enough
No, don't pick on me
When one act of kindness could be
Deathly
Deathly
Cause i'm just a problem
For you to solve and
Watch dissolve in the heat of your charm
But what will you do when
You run it through and
You can't get me back on the farm
So don't work your stuff
Because i've got troubles enough
No, don't pick on me
When one act of kindness could be
Deathly
Deathly
You're on your honor
Cause i'm a goner
And you haven't even begun
So do me a favor
If i should waver
Be my savior
And get out the gun
Just don't work your stuff
Because i've got troubles enough
No, don't pick on me
When one act of kindness could be
Deathly
Deathly
Definitely
ANA ELISA KORMANSKI 11:52 PM
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Quinta-feira, Janeiro 06, 2005
Cada vez mais os assuntos vão se tornando mais profundos, e cada vez menos eu tenho vontade de escreve-los. Vamos tentando falar sobre coisas faláveis por enquanto. Eu não gosto de postar algo novo sem ter CERTEZA que pelo menos alguém leu o post do momento, ou seja, pelo menos 1 comentário. Mas tudo bem, às vezes eu to mesmo exigindo de mais.
Comecei o ano com uma nova perspectiva. Resolvi deixar de imaginar as coisas terríveis e temíveis pro meu futuro e comecei a imaginar coisas boas. Incrível, pelo menos pra mim. Eu acho que prefiro chegar no fim da vida e dizer "Ana, sua idiota, deu tudo errado" do que "Ha!Told you so!!". Nesse caso, pelo menos. Bom, to tentando fazer de um ano que já começou diferente, que já não vai muito bem e que tende a piorar (meteorologia prevê: tempo nublado até o começo de março, com previsões de temporais logo após) um pouco melhor. A velha história da pedrinha na parede de escalada. Se eu não tenho as pedrinhas necessárias pra subida, não quero perder a que estou me segurando no momento.
No fim, acho que it is my job to keep on when I'm unable, It is my job to be selfless extraordinare. É o que eu tento fazer. Minhas boias tão indo... murchando... devagar... voluntáriamente... Mas eu to aqui. Um dia eu vou ser uma pessoa grande e tudo isso vai acabar. Vou ter problemas de verdade, e diferentes dos atuais. Vou saber com bem mais clareza pra onde a minha vida foi, e pra onde ela continua. Meus medos (malditos medos) vão ter se concretizado ou não. A dúvida vai passar. (meteorologia prevê: dias melhores depois dos 25).
ANA ELISA KORMANSKI 12:32 AM
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Sábado, Janeiro 01, 2005
Tem coisas que são porque são. Tem coisas que são porque você as fez ser. Tem coisas que são porque você quer. Tem coisas que são porque você tem que aprender. E tem coisas que nem são, e já são. Confuso? Nem tanto... Falo das coisas que nem aconteceram ainda, mas temos tanta certeza que vão acontecer, que sofremos de antemão. Todo mundo é um pouquinho assim, acho... Conheço >>pessoas<< que são bastante assim.
Nesse monento, falo de algo específico. Quando eu era adolescente, eu gostava muito muito muito de Alanis Morissette. Aí enjoei um pouco. Tanto que quando a minha amiga me deu uma cópia de um CD dela com músicas não lançadas, que mais tarde formaram o Feast on Scraps, não dei muita atenção. Esse ano, acabo indo morar com Alanis' fan number 1. De tanto ouvir o tal CD por intermédio dele, acabei gostando das músicas, e me acustumando a elas (porque, pra mim pelo menos, demora um pouco pra me acustumar com as músicas, a ponto de poder dizer se gosto ou não). Enfim, voltando a histórinha bonita, que aqui eu uso como artifício pra tentar deixar esse texto mais interessante. Ouvi ouvi... E uma música específica me chama atenção. Nem percebi o que ela significava, até um dia, resolvi prestar atenção. Bom, essa música, posso dizer com 100% de certeza, que é uma das, senão A mais triste que já ouvi em toda a minha vida. Vamos lá:
Alanis Morissette - Simple Together
You ve been my golden best friend
Now with post-demise at hand
Can t go to you for consolation
Cause we re off limits during this transition
This grief overwhelms me
It burns in my stomach
And I can t stop bumping into things
I thought we d be simple together
I thought we d be happy together
Thought we d be limitless together
I thought we d be precious together
But I was sadly mistaken
You ve been my soulmate and mentor
I remembered you the moment I met you
With you I knew god s face was handsome
With you I suffered an expansion
This loss is numbing me
It pierces my chest
And I can t stop dropping everything
I thought we d be sexy together
Thought we d be evolving together
I thought we d have children together
I thought we d be family together
But I was sadly mistaken
If I had a bill for all the philosophies I shared
If I had a penny for all the possibilities I presented
If I had a dime for every hand thrown up in the air
My wealth would render this no less severe
I thought we d be genius together
I thought we d be healing together
I thought we d be growing together
Thought we d be adventurous together
But I was sadly mistaken
Thought we d be exploring together
Thought we d be inspired together
I thought we d be flying together
Thought we d be on fire together
But I was sadly mistaken
É isso aí. A letra é bem clara, mas pra ficar mais claro ainda: fala dos planos que fazemos, sempre que temos uma pessoa muito querida (em qualquer sentido). Os planos que dizem pra você mesma o quanto essa pessoa é importante, e o quanto ela significa na sua vida. Que quando você percebe que eles não foram realizados, é um chute na sua cara. Quando essa pessoa deixa de estar na sua vida por algum motivo, não é legal, independete do motivo. Mesmo que ela tenha sido péssima pra vc. Ainda assim, dói perder alguém dessa maneira.
E esta sou eu, sofrendo de antemão pelas minhas pessoas. Minhas pessoas tão queridas e amadas, como eu posso ter tanta certeza que elas vão me deixar? Não tenho. Acho que tenho é medo. Todo mundo já foi deixado um dia. Mas pra uma filha única, colocada no mundo pra ser solitária e com medo da solidão, esse sentimento cresce 100 vezes.
Cada vez que escuto essa música, sofro com o pavor de poder estar cantando pra alguém daqui um tempo. Como canto pra pessoas que passaram. Tudo bem que não gosto de me importar e pensar nas pessoas que não estão mais aqui. Mas o motivo que me leva a cantar, é a mágoa. Mesmo que essa pessoa tenha terminado como uma grande filha da puta escrota, em algum momento ela significou algo pra mim (burrinha, vamos dizer).
Eu sei que tem gente que vai falar que eu sou uma idiota, sofrendo por algo que nem aconteceu ainda. Mas eu tenho também essa idéia, de que se eu tiver preparada pro pior, não vai ser tão ruim na hora que acontecer. O que não é verdade, mas, fazer o que... E aí eu fico assim, evitando ouvir essa música, pra tentar não cantá-la pras pessoas que ainda estão aqui.
ANA ELISA KORMANSKI 9:10 PM
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Terça-feira, Dezembro 21, 2004
Inspiração, inspiração que não chega... Preciso de algo pra escrever, postar naquele negócio que no fundo tem uma menina com os cabelos pretos espalhados e um livro na cara. Franz Kafka. Preciso escrever, pras pessoas poderem ler e eu poder me sentir bem comigo mesma. É assim que funciona... Você fala suas opiniões sobre o mundo, as pessoas concordam ou descordam, e você se sente bem por ter criado uma polêmica. Você se sente bem por poder falar de coisas que não falaria normalmente e não ver a cara das pessoas quando leem. Queria roubar a idéia da Renata e escrever aqui o que cada um representa pra mim. Queria escrever qual a sua música. A sua, você, pessoa que tá lendo isso. Queria escrever qual é sua música. Mas, vamos ser sinceros, eu sou um pouco covarde para o tal. Como já tratado em posts anteriores, não gosto muito de dar minhas respectivas opiniões sobre inusitadas pessoas. Então tá aí, fica a intenção. Eu sempre penso que a intenção vale alguma coisa. Mas tem que ser verdadeira... Só a intenção já conta.
Devia falar um pouco do fim do ano, que tal? 2004: o ano que acabou. Acabou. Mentira, mas falta pouco. Falta pouco pra acabar o ano que acabou comigo. Vou usar minhas últimas forças pra agradecer pelo presente no natal e falar feliz ano novo. To pra ver ano que nem esse aí. Vou me referir aos acontecimentos como "a grande crise de 2004". Mas sabe que, no fundo, foi tudo muito bom. Me sinto muito diferente agora. Me sinto menos criança. Sinto que passei por coisas que deveria ter passado. Pessoas entraram na minha vida, pessoas estas que deveriam ter entrado. Outras saíram, provavelmente também porque deveriam ter saído. E ainda tiveram as que deram só uma olhada rápida. E agora eu me sinto com poder pra tirar a Terra dos eixos. Vou ter forças pra falar "cala a boca, você não sabe com quem tá falando". Só espero que tenha forças pra começar um outro ano, que se for pior do que esse, provavelmente nem vai chegar aos "feliz ano novo". Vou usar esse fim de ano pra pensar, coisa que não faço muito. Mas vou pensar de verdade, vou chegar a conclusões, analisar opiniões e vou me definir a ponto de poder dizer "esta sou eu, sou assim, se quiser, compre o pacote". Vou aprender que nunca ninguém vai me salvar, e que essa energia que eu gasto procurando por essa pessoa eu devo gastar aprendendo a me virar sozinha. Vou aprender a keep on when I'm unable. Ou melhor, não vai mais existir unable moments. Vou entender que as coisas do passado devem ficar por lá mesmo, e ficar fuçando num baú de velharias só vai atacar as minhas alergias. Vou entender que por mais que eu não queira e que eu relute, a minha família é o que é, e são provavelmente as pessoas que vão me amar pelo resto da vida (provavelmente porque nunca vão me conhecer por inteiro). Vou conseguir ficar feliz sem as coisas que me ajudam a me deixar feliz. Vou conseguir ficar triste sem as coisas que me ajudam a descarregar. Vou tentar entender o papel verdadeiro das pessoas na minha vida, e não vou pedir pra que elas representem um papel diferente. E é isso. Eu não preciso de muito. Só disso que eu preciso.
ANA ELISA KORMANSKI 11:48 PM
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Terça-feira, Dezembro 14, 2004
Tá tudo muito estranho. Muito muito estranho. E eu não sei o que é, nem de onde vem... Só que tá me incomodando muito. Se tem uma coisa que eu odeio, são as que eu não consigo explicar. To sempre em busca de respostas pra tudo. Não consigo suportar não entender uma música. Principalmente quando essas músicas me dizem algo, e eu não sei o que é. Dá pra entender?? Vou explicar. Desde a primeira vea que eu ouvi "Century of Fakers" tive um sentimento estranho, um arrepio na espinha, sei lá. Ouvi essa música por meses e meses sem saber de onde vinha aquele aperto. Não entendia o que aquela música queria dizer, só sabia que era muito forte. Tão forte que dói. Alguém já sentiu isso? Dor sentimental... Acho que todo mundo. É algo tão forte que passa a ser físico. Pois é, essa dor, que no meu caso não era tristeza. Mas não sabia o que era. Hoje eu sei, hoje eu entendo a música. Mas me incomodou muito o fato de eu não saber. Às vezes eu acabo postando aqui meus "entendimentos" de uma música ou outra. Isso sou eu mesma colocando em palavras mais inteligíveis pra mim mesma o que elas significam e no que elas se aplicam a minha própria pessoa. Engraçado, não sei porque to falando tudo isso. Só que tá tudo, tudo muito estranho. E tem "It takes all kinds". Eu não sei nem o que essa frase significa exatamente. Leva todos os tipos?? Precisa de todas as maneiras?? Ou uma expressão totalmente diferente que eu não conheço?? Não sei. Só sei que essa música me dá uma coisa estranha. Hahaha, me senti ridícula falando de coisas além do entendimento que me mandam "mensagens". Foda-se. Quem entender, entenda, quem não entender e me achar idiota, ache, quem rir, ótimo. Já disse, se incomoda, não leia essa porcaria. Bom, voltando, "It takes all kinds". São frases que fora da música até fazem sentido, e são coisas que me perturbam, mas não sei por que me atingem dessa maneira. E eu odeio não conseguir explicar e poder sentir com todas as letras o que essa música significa. Só que não quero mais coisas estranhas, não quero mais coisas sem explicação, por favor, preciso de uma explicação. Tá aí: um apelo aos céus. Um apelo a Aimee Mann. Um apelo a alguém mais inteligente que eu. Me ajudem a saber o que é isso tudo, porque eu quero saber o que é que tem esse poder de me fazer me sentir morta por dentro.
It takes all kinds
As we were speaking of the devil
You walked right in
Wearing hubris like a medal
You revel in
But it's me at whom you'll level
Your javelin
Wasn't that just our dear friend ron?
Throwing your weight around the sun
Happier now that you've become
What you hated
I'm surprised I even thought i
Had half a chance
I was just one in a million
Of also-rans
Who was sure to be your victim
Of circumstance
Once you were just our dear friend ron
Selling the soul you swore upon
Spreading the word that you've become
What you hated
And if I don't understand...
Well, I guess it takes all kinds
I would like to keep this vision
Of you intact--
When we'd hang around and listen
To bacharach
And you loved the world you lived in
And it loved you back
Once you were just our dear friend ron
Now you look out for number one
Who would've guessed that you'd become
What you hated
And I guess it takes all kinds
ANA ELISA KORMANSKI 11:16 PM
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Sábado, Dezembro 11, 2004
Como está a Mary?? Mary Jo, living alone. É, Mary Jo... Está cansada, pra variar. Texto sobre o cansaço II. Tenta, tenta, Mary Jo. Um dia você consegue. Um dia você alcança o seu grande objetivo. Um dia as coisas vão ficar mais claras do que elas já são, e aí você vai saber. Happier now that you've become what you hated? Você não tem as coisas muito coerentes na sua vida. Deve aprender a organizar os pensamentos. Guardar as coisas nas gavetas certas dentro da sua cabeça. Como se isso fosse possível, já que você não pode nem guardar as próprias roupas na gaveta certa do guarda-roupa. É Mary, vc é uma pessoinha estragada, Messed up person, do you know what I mean?
Por que vc se pergunta tanto se está satisfeita com você mesma? Are you happy with yourself? Você sempre responde a mesma coisa. Lembra uma vez, você bêbada, sentada no chão, sozinha, cantando essa música. Quando chegou nessa parte, você respondeu. O que você disse foi: NÃO. Bem claramente, não hesitou por um segundo. Are you happy with yourself? -Não, Mary disse. Aí depois não conseguia lembrar o que vinha depois na música. Mas o que vem é: Put the book back on the shelf. Você deveria saber.
Mary Mary... tanta pena de si mesma, tsc tsc... Que coisa feia, Mary. Quando canta a sua música, sente pena de si mesma. Deveria ter vergonha disso. Eu sei que você tem. Você não é uma coitada, Mary. Você é uma pessoinha estragada, mas não é coitada. Uma vez eu ouvi dizer que o filhote da girafa sofre uma queda de quase 2 metros assim que nasce, porque a girada dá a luz de pé. Não sei se isso é verdade, mas se for, ele sim é coitado. Coitado do filhote da girafa... Repita comigo: coitado do filhote da girafa.
Sabe o que você precisa? Precisa aprender a resolver os seus problemas. Você não sabe resolver os seus próprios problemas, Mary. Que vergonha... Fica dando soluções drásticas que você mesma não consegue por em prática. Você não sabe o que quer, não é mesmo? Será que quando você souber vai conseguir resolver seus problemas? It doesn't really help that you can never say what you're looking for. But you'll know it when you hear it, know it when you see it walk through the door. Não me faça rir. Pare de dizer mentiras pra você mesma. Você acaba acreditando nelas. Depois, dá tudo errado e você fica aí se lamentando. Não adianta dizer pra você mesma que você ainda é jovem. Não vai acontecer logo. Vai demorar, e muito. Muito tempo pra você Mary. Pra você sentir pena, não saber o que quer e falar mentiras pra vc mesma, pra você continuar no seu living alone. Que bom, pelo menos você é boa nisso.
ANA ELISA KORMANSKI 1:26 AM
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Quarta-feira, Dezembro 08, 2004
Just Like Anyone
Here we go again. Mais um. Uhu. Mais um post novo. Acho que fica bem claro que cada vez que eu sento aqui é para me lamentar. Odeio isso. Também foi por isso que eu fechei o outro blog. Odeio tanto que quase nunca releio os meus posts. Mas acho que quem lê isso aqui tem essa consciência. E quem passa por aqui e vê posts enormes deve provavelmente ir embora. Mas acho que é assim mesmo. Por enquanto eu vou levando, quem sabe vai chegar o momento que eu me irrito de vez e paro de escrever.
Mas vamos ao lamento do dia.
Eu só queria conseguir falar as coisas que realmente penso. Não que nem eu faço aqui em alguns posts. Queria poder falar pras pessoas o que eu realmente penso delas. Quaeria falar pras pessoas quando vejo algo de errado nas nossas relações. Se bem que poder eu até posso, mas não consigo. Simplesmente não consigo. Encontro zilhões de explicações, todas muito lógicas, do motivo que me leva a ser assim tão fechada quando se trata de ser totalmente sincera. Medo de decepcionar as pessoas, medo de me decepcionar, vontade de agradar, medo de magoar, medo de ser magoada, entre mil coisas, todas lá me impedindo. Parece que quando chega aquela hora de falar "vamos conversar" a voz não sai. Eu me sinto uma fracassada, é sempre uma batalha não vencida. Já tentei mil maneiras: cartas, internet, dar dicas, jogar indiretas... Nenhuma funciona 100%. O negócio é falar lá, ao vivo e a cores.
Percebo que muitas vezes não consigo falar porque as minhas próprias idéias não são bem organizadas na minha cabeça. Eu sempre ensaio todo um discurso, e quando chega na hora, nada. E as vezes até o discurso ensaiado me faz me sentir melhor, me faz ver se o que eu tenho a dizer é realmente importante, se faz sentido, me faz prever as reações que a pessoa pode ter. Aí eu acabo não falando. E me odeio por isso. Odeio mais ainda nesse momento, onde existem tantas coisas que devem ser ditas acumuladas que eu tenho que escrever um "lamento de Ana Kormanski" pra não explodir. To tell someone all the truth before it kills me. Além de tudo isso, ainda devo acrescentar o fato de como eu nunca sei resolver os problemas, eu sempre acabo tomando decisões drásticas e erradas.
Mas que droga, não vejo ninguém com restrições em me falar o que pensam. Pelo contrário, eu estou sempre ouvindo, e sempre descobrindo coisas novas pra colocar na minha lista. E aí quem lê pode até falar "é mentira, vc fala coisas pra eu colocar na minha lista também." E eu falo: Ok, mas não da maneira que eu gostaria. Nada muito importante. As coisas importantes estão aqui guardadas comigo. Olha, mas que beleza, talvez esse seja um lado totalmente novo, que ninguém tinha muita noção. Tenho até medo de publicar. Não quero soar como uma pobre coitada, que acha que é maltratada pelos amigos cruéis enquanto sofre com sua dificuldade, por que não é assim. Nada disso. Acho que não conseguiria explicar, não sei se alguém entenderia. Mas tá aí. Tá feito o meu lamento. Olha, mais uma coisa pra colocar na minha lista, que alegria. Queria muito colocar uma música que descobri esses dias. Não sei se vão entender relação dela com o assunto. Mas acho que vcs já sabem que eu sou mesmo uma pessoa com relações complicadas.
Just like anyone
So maybe i wasn't
That good a friend
But you were one of us
And i will wonder
Just like anyone
If there was something
Else i could've done
So maybe it's true that
Your cry for help
Was oh, so very faint
But still i heard
And knew something was wrong
Just nothing you could put your finger on
And i will wonder
Just like anyone
Just like anyone
--Aimee Mann
ANA ELISA KORMANSKI 2:31 AM
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Segunda-feira, Dezembro 06, 2004
Eternal Sunshine of a Spotless Mind
To aqui ouvindo música. Música. Coisa linda de meu Deus. Se for a música certa, então... É algo meio assim, mágico. Não sei porque estou escrevendo isso. Hoje eu assisti um filme: Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças. Sem lembranças. Será que existe isso tudo?? Será que duas pessoas podem se amar daquela maneira? Será que existe a pessoa perfeita pra cada um de nós? É um tipo de amor beyond. Um amor que só quem tem pode entender. Um amor Piazza. Opa, olha aí, uma música. Eu sempre pensei que nunca vou encontrar uma música que fale de um amor tão sincero, tão profundo e tão verdadeiro. Nada de Love me Tender, nada de Because you Loved Me, nada dessas músicas que as pessoas chamam de românticas. Se existe amor no mundo, ele foi retratado em Piazza, the New York Catcher. Nunca vi algo igual. É o limite. É quando se chega a um ponto que o amor não pode crescer mais de tão grande. Que coisa mais ridícula e sentimentalóide, eu aqui falando de amor. Só queria clarear os meus próprios pensamentos. Eu não sei se acredito que exista esse tipo de relacionamento. Pra mim, o amor acaba e as pessoas se divorciam. O que sobra é mágua, dor, e as vezes um ou dois filhos problemáticos. Pra isso as pessoas se casam. É o ciclo da vida. Mas aí eu penso que se não existe, como alguém pode sequer escrever algo como aquilo?? "I love you, I've a drowning grip on your adorable face. I love, you my responsability has found a place..." Não sei que tipo de amor é esse, se é amor de amigo, ou de namorado, ou sei lá do que. Mas é o maior. É isso que deveria ser. Não tem nada de I'll die for you, I'll cry for you. Nada disso. É assim, puro e simples.
Por que será que passamos a vida toda acreditando nesse dia mágico quando vamos conhecer nossas almas gêmeas? E se a nossa alma gêmea já passou e a gente nem percebeu?? E se a nosa alma gêmea não é nem do sexo oposto? E se nossa alma gêmea é da nossa família? Ou um amigo?? Eu acho que é isso que deve acontecer na maioria das vezes, porque eu conheço pouquíssimas pessoas que realmente encontraram a pessoa pra se passar o resto da vida. A maioria fica procurando, e procurando, e se magoando, e brigando, e arrumando problemas... Por que as pessoas não conseguem ficar quietinhas nos seus cantos?? Odeio essa coisa animal que resta no ser humano. esse instinto. Por que é isso que é. Instinto animal. A gente precisa das pessoas por que não sabemos viver sozinhos. Deveríamos. Sera mais fácil. Mas acho que seria mais chato. Ironico. Ironica essa vida. Bom, eu fico feliz em ter essa consciência. Me sinto bem pensando assim. Não vou desejar mais uma pessoa pra me abandonar e me magoar. Tenho problemas sérios com abandono. Será que eu fui um daqueles bebês achados no lixo?? Não. Não sei de onde vem esse meu problema com abandono. I'll wrap my arms around you, cause I know it'll be fine. Só quero que me digam que vai ficar tudo bem.
ANA ELISA KORMANSKI 2:09 AM
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Quinta-feira, Dezembro 02, 2004
Deveria escrever aqui o que eu sinto. Bem, agora, eu sinto sono. Muito sono. O tipo de sono que te faz esquecer o que tava pensando, perder o fio da meada, falar coisas desconexas. Sono. Grande companheiro da vida. Não importa o que aconteça. O seu sono nunca será tirado de você. Me perdoem se o que eu escrever aqui parecer sem sentido.
Eu tenho uma coisa com filmes, livros, músicas e todas as formas de arte e expressão. Por exemplo, sempre que escuto uma música, tenho vontade de cantar, ou tocar violão. Quando leio um livro, tenho vontade de escrever. Antes, quando via um filme tinha vontade de atuar. Agora, tenho vontade de escrever um roteiro, ou dirigir, ou algo do tipo. Meu ponto é: essas coisas me inspiram. Você diria: "Uhu! Isso é bom!". E eu diria que essa inspiração é totalmente passageira, acaba no minuto que eu paro de pensar sobre o assunto.
Usei toda essa introdução idiota sobre o sono, e esse parágrafo inútil sobre inspiração pra dizer o seguinte: acabo de ver um filme que chama-se "O Anti-Herói Americano". É sobre um cara que escreve um história em quadrinhos. Ele é uma pessoa comum, loser, feio, chato, com uma vida sem emoção e um emprego idiota. E escreve sobre a própria vida. Sobre as pessoas que convivem com ele, e coisas que acontecem no dia-a-dia. Anti-herói.
Enfim, estou mais uma vez fugindo do meu assunto. O meu ponto é: eu sempre tive vontade de fazer algo do tipo. Não uma história em quadrinhos, mas sei lá, escrever um livro, fazer um filme ou um seriado sobre as pessoas que eu convivo (incluindo eu mesma). As coisas que acontecem comigo, na maioria das vezes, eu acabo guardando por um certo tempo. E daí me vem uma vontade tremenda de escrever e escrever, sobre o que eu estou passando, sobre como eu me sinto, colocar na voz de outra pessoa e dar pros meus amigos ler. Ou as vezes, eu observo as pessoas que eu convivo e penso "Hum, no seriado esse capítulo seria o que fulano faz isso". E seria praticamente perfeito, por que vocês, meus amigos, são todos uns loucos estranhos, desculpe a sinceridade. A gente teria todos os esteriótipos dignos de um seriado de sucesso (nessa hora ia citar exemplos, mas desisti).
Eu nunca vou fazer isso. Como eu disse, a inspiração é passageira. Nossa, odiei esse post com todas as minhas forças, acho que é o pior que eu escrevi até hoje. Só vou postar por que não tenho nada melhor pra dizer no momento. E esse assunto me deixou deprimida. Fim.
ANA ELISA KORMANSKI 12:01 AM
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Segunda-feira, Novembro 29, 2004
Meu deus do céu. Como as pessoas se cobram... Não sei se as pessoas em geral, ou apenas as pessoas que me cercam (incluíndo eu mesma). Meu Deus, ninguém tem o direito de me chamar de perdedora. Eu não cheguei ao fim da minha vida ainda, ela AINDA não acabou. Eu só participei de alguns jogos, não cheguei ao fim do campeonato. Ninguém tem o poder de me falar que daqui a 20 anos eu vou ser uma solteira medícre, sem família, sem amigos, sem trabalho satisfatório, sem marido, sem filhos, sem felicidade. Let me please interpret history in every line and scar that's painted there in front of me. Please. Meu Deus, não me canso de dizer isso. Não é pra ser tão difícil. Não é. Pessoas fazem isso o tempo todo. Viver. Sim, existem pessoas bem sucedidas. Não to falando de cheias de dinheiro e um emprego bom. To falando nas que conseguem ser felizes com o que tem. Conseguem ser felizes buscando mais. Por favor, não posso olhar pra frente, pro futuro, e me culpar por algo que ainda não aconteceu. NÃO É TÃO DIFÍCIL ASSIM. Eu não sei como fazer isso. Eu não sei se aguento mais um rótulo. Mais um adjetivo pra minha listinha (que não é lá tão pequena). Eu não quero mais um adjetivo. Não quero mais ser. Quero apenas estar. Quer ser deixada estar. Não quero mais ninguém me dizendo q eu sou isso, e que eu devia mudar. Eu não penso mais sobre as coisas que deveria mudar, pq se o fizesse chegaria a infeliz conclusão que eu deveria ser amassada, jogada no lixo e começada de novo. Sabe, quando o bolo deu errado, é melhor jogar tudo no lixo e fazer outro. Eu não quero mais pensar isso. Eu não quero mais me irritar comigo, nem com os outros. De um tempo pra cá peguei uma mania de reparar em coisas q as pessoas fazem automaticamente (como comer, andar, esperar o onibus, calçar os sapatos, assistir TV, dormir). Dei pra reparar nessas coisas e achar que o ser humano é ridículo. Nada que ele faz é feito com graça e beleza. É tudo muito feio e besta. Dei pra achar que o formato do corpo humano é feio. Não é que as pessoas são feias, o design foi mal feito. Mas que droga, quero ter o direito de escrever algo totalmente sem sentido e sem nexo, quero q vcs riam de mim, lamentem e pensem "Mas que criatura patética". Quero que vcs q não entenderam nada do que eu disse deem as mãos e pulem de um prédio BEM alto, mas antes me chamem pra ir junto. Quero q todas as pessoas que me ensinaram a ser assim deem as mãos pros outros também. Não dá mais. Quero que todas essas malditas músicas que falam coisas que ninguém jamais ousou falar queimem no fogo do inferno. Parece que não, mas tudo isso se resume a um único motivo. Eu não quero mais me matar pelo que eu não sou. Eu não quero mais me odiar pelo que eu ainda não vi. Eu não quero mais preconizar. Me deixem estar. Por favor, só quero estar. Para mais informações sobre o assunto, visitem Stu's Flog e Who the fuck?
ANA ELISA KORMANSKI 1:39 AM
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Sábado, Novembro 27, 2004
Tem tantos assuntos na minha cabeça que merecem ser tratados... Tantas coisas que eu penso, que eu imagino, que eu formulo uma humilde opinião... Engraçado, essas coisas não saem... Elas ficam aqui, dentro da minha cabeça, aguardando a inspiração vir. Pode ser uma música, um filme, uma frase... Mas se a inspiração não chega, simplesmente não consigo escrever... Acabo fazendo posts assim, genéricos.
Essa semana foi muito, mas muito estranha. Bom, vou dar um desconto pelas coisas atípicas... Tipo, visitas de mães de Thalitas, aniversários de Thalitas, comidas boas, chegadas de sofás, nascimentos de irmãs (ã)... Mas fora isso... Sei lá, sabe quando tem alguma coisa fora do lugar? Eu até sei mais ou menos sobre o que se trata, mas obviamente não vou falar aqui, q eu não sou idiota nem nada. Mas é estranho, pq eu normalmente ficaria mal, deprimida, irritada com essas coisas. Dessa vez não, eu nem me preocupei. Acho que é uma coisa boa, não? Apesar dos pesares, eu continuo ÓTIMA.
ANA ELISA KORMANSKI 12:13 AM
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